ENTREVISTA:

BN - Nesta fase de crise da COVID-19, o que mais deve preocupar o secretário é o grande número de empresas, profissionais liberais e trabalhadores em dificuldades financeiras no município. O que a SEDET vem fazendo neste sentido? 

Sem dúvida alguma, o impacto econômico será muito grande em todo mundo. Em Poços não será diferente. Já temos vistos diversas empresas fechando suas portas, profissionais liberais em grande dificuldade e pessoas entrando em situação de desemprego. A SEDET traçou como objetivo atuar em duas frentes: minimizar os impactos e pavimentar o caminho da recuperação. Para minimizar os impactos, criamos o Mutirão de Auxílio aos Empresários, um local no qual poderá encontrar auxílio para diversas questões, como apoio nas negociações bancárias para ter acesso às medidas do Governo federal, auxílio Contábil em parceria com o Sindicato dos Contabilistas, auxílio Jurídico em parceria com a OAB, auxílio do Sebrae e com diversas forças do movimento civil empresarial, tais como o Clube de Empresários, ACIA, Movimento Empresas Imunes, etc.

Já para termos uma recuperação mais acentuada, estamos criando uma campanha de incentivo ao comércio local. Será uma campanha focada em incentivar as pessoas a consumirem no comércio de Poços - algo do tipo “Eu amo Poços, eu gasto em Poços”. Em outra frente, estamos trabalhando de maneira interdisciplinar, envolvendo principalmente nossa indústria mais forte, o turismo. Já estamos preparando com o Poços Convention & Visitors Bureau uma grande campanha para quando for possível a retomada do turismo. Por questões financeiras e de saúde, as pessoas viajarão menos para o exterior, e evitarão também viagens de avião. E neste ponto, temos totais condições de sermos um dos destinos mais procurados, por estarmos próximos aos grandes centros urbanos.

 

BN - Apesar de o seu trabalho ter começado há menos de um mês, já foi possível dimensionar o número de empresas em Poços de Caldas que tiveram que fechar suas portas em definitivo ou que estejam prestes a fazê-lo? Quais as maiores dificuldades relatadas por elas?

Esse é um movimento dinâmico, e estou buscando proximidade com os empresários para entender e auxiliar no que for possível. Segundo o Sebrae, no Brasil, mais de 600 mil pequenas empresas foram fechadas pela pandemia. Não temos esse número ainda em nível local. O grande problema relatado é que as medidas tomadas pelo Governo Federal não chegaram a elas. Por isso o Mutirão é uma grande oportunidade de aproximarmos as pessoas das medidas que serão fundamentais para superar esse desafio.

 

BN - Nas redes sociais, vários grupos se formaram nesse período para tentar enfrentar a crise, trocar experiências e buscar soluções. Você acha que esse é o meio mais viável para tentar se antecipar ao poder público, visando minimizar prejuízos financeiros, já que as ações e seus resultados são lentos?

Estamos vivenciando um momento de grande movimentação social. Isso é o que fica de positivo nesse momento tão angustiante. Em Poços, temos um grande movimento empresarial que surgiu dos próprios empresários. São movimentos como Empresas Imunes, que está propondo auxílio aos empresários com dificuldades, temos o Clube de Empresários, o Coem e diversas entidades de classe, como a ACIA, ABRE, OAB, Sindicado dos Contabilistas e tantos outros que congregam e buscam soluções para problemas comuns. Isso é muito importante para auxiliar o poder público, uma vez que a responsabilidade do bem comum é de todos nós.

 

BN - Agora como representante da administração pública, tomando conhecimento da real situação financeira do município (que vem enfrentando a diminuição na arrecadação de impostos), você acha que será viável equilibrar as finanças, ouvir as demandas e, claro, propor soluções rápidas e efetivas a curto prazo?

Essa atual administração pegou um dos períodos mais conturbados para se gerir uma cidade. Já pegou a cidade com sérios problemas financeiros, ausência do repasse estadual no período do Governo Pimentel, crise econômica nacional e agora a Pandemia do Covid-19. É um cenário assustador. Poços foi uma das poucas cidades mineiras que não atrasou salário do seu funcionalismo durante esse período. Temos uma cidade vibrante, que está linda e muito bem cuidada, teremos em breve a terceirização dos pontos turísticos e acredito que teremos totais condições de resolver essa questão, sem deixar de lado todo o sistema de serviços de excelência à população.

 

BN – Antes mesmo da “live” nas redes sociais, dia 26, você vinha defendendo a reabertura do comércio e serviços com parcimônia, segurança e no momento adequado; depois disso viria a questão da manutenção das empresas e empregos. Mas os pequenos empreendedores se mostram mais preocupados do que nunca, afinal serão 40 dias sem trabalho e renda, correto?

O prefeito Sérgio Azevedo anunciou a flexibilização para iniciar no dia 1º de maio. Essa retomada vem após Poços ter feito o dever de casa e cumprido uma quarentena no qual foi possível preparar o sistema de saúde para passar por esse momento sem sobrecarregar a sua capacidade. Infelizmente o preço a ser pago não é barato. Todos, a nível mundial, estão sofrendo com empresas fechadas, desemprego e dificuldades financeiras. Tudo isso é novo para nós, visto que a última Pandemia que obrigou isolamento ocorreu há mais de 100 anos. O FMI tem um estudo que diz que o isolamento bem feito proporcionará uma retomada mais eficiente. É nisso que acreditamos, e temos convicção de que Poços terá todas as condições para fazer uma retomada robusta.

 

BN - Certa vez você declarou ser “otimista por natureza” e disse ter facilidade em trabalhar com processos de liderança e desenvolvimento. Com essa situação caótica, que se agrava dia após dia, você continua pensando assim?

Sim. Sou otimista quando penso que estamos vivenciando uma evolução em questões de país e humanidade. Em momentos de dificuldade, temos a oportunidade de evoluirmos. E apesar de tanta coisa difícil em termos de país, política, finanças, estamos evoluindo. Não é um processo rápido e nem linear, mas estamos evoluindo.

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