BERLIM

Por Odair Camillo

OURO PRETO - A mais bela cidade histórica de Minas Gerais, distante apenas 100 km de Belo Horizonte, recebe visitantes o ano inteiro

Como de outras vezes, fala-se muito em crise econômica por que passa “mais uma vez” nosso País. E se a tal crise  não está permitindo viajar para o exterior, a melhor opção para relaxar num fim de semana, ou mesmo num feriado mais prolongado,  a saída é o turismo interno.

Como o dinheiro anda curto, muitos hotéis, restaurantes e até passeios estão tendo que reduzir os preços para garantir movimento. E aí vale a pena arrumar a mala e sair por aí.

Recente pesquisa nacional classificou Ouro Preto como o destino preferido por quem quer um turismo cultural e mais acessível em Minas Gerais, no Brasil.

E entre as cidades mais próximas, está a bela e histórica cidade mineira.

Ouro Preto é a mais importante das cidades históricas de Minas, declarada pela UNESCO “Cidade Monumento Cultural Humanidade”, pelas suas belas igrejas seculares, o espetacular casario colonial e as belas obras de Aleijadinho e Mestre Athayde, os mais epresentativos artistas do barroco brasileiro. Tanta história, representada por igrejas e museus, ontrasta com bares cheios de universitários. Os pontos turísticos não abrem às segundas-feiras, mas o comércio, sim.

Patrimônio Cultural da Humanidade, está a 95 km de Belo Horizonte. O município nasceu em 1711, com o nome de Vila Rica. Poucos anos depois, em 1720, foi escolhida como a capital da capitania das Minas Gerais. Durante o ciclo do ouro do Brasil colonial, a cidade era o mais importante centro econômico e político do país.

A cidade de Ouro Preto  não é apenas uma antiga cidade colonial. Hoje ela se presta a vários papéis. No Carnaval, ela recebe jovens e foliões; na Páscoa, as procissões, cerimônia da feitura de tapetes e missas que atraem os turistas católicos; e com a chegada da temporada, ela se transforma em estância do lazer e entretenimento.

Sua história passou por turbulências. Com a decadência do ciclo do ouro e das potências mercantis de Portugal e Espanha, Ouro Preto, então Vila Rica, entrou em declínio.

Toda a efervescência cultural da cidade, que chegou a ter 120 mil habitantes, nasceu e acabou no século 18.

Ouro Preto - O que ver e apreciar...

A Praça Tiradentes é o ponto central da cidade de Ouro Preto. em que abriga o Museu da Inconfidência e separa as duas paróquias principais da cidade.

Além dela ser o ponto de partida dos visitantes da cidade, os principais eventos e atrativos turísticos de Ouro Preto se encontram nessa área.

Ao chegar no local, o monumento a Joaquim José da Silva Xavier, marco na paisagem da cidade, atrai os olhares de todos. Essa obra foi criada em homenagem a Tiradentes, na época da Proclamação da República em substituição à Coluna Saldanha Marinho, localizada na Praça da Independência (antigo nome da Praça Tiradentes).

O monumento erguido em homenagem a Tiradentes foi inaugurado em 1894 pelo Dr. Affonso Augusto Moreira Penna, Presidente do Estado de Minas Gerais. A partir disso, a praça foi batizada de Tiradentes.

O local onde se encontra a Praça Tiradentes era conhecido no século 18 como Morro de Santa Quitéria e dividia as duas freguesias de Vila Rica: Antônio Dias e Pilar.

A Praça Tiradentes se encontra no alto do espigão do Santa Quitéria e simboliza a união cívica das duas freguesias.

Casa dos Contos e as belas igrejas barrocas

Seguindo para o Pilar está a Casa dos Contos, a mais importante construção colonial laica de Ouro Preto.

Foi o casarão onde ficaram presos os Inconfidentes e que hoje abriga uma coleção de moedas e notas brasileiras e uma biblioteca com documentos do período colonial.

São 13 igrejas barrocas espalhadas nos topos das colinas. Pela ordem cronológica vem primeiro a de Nossa Senhora do Pilar, concluída em 1733, na fase inicial do barroco, quando a abundância de ouro era tão grande que os altares foram praticamente todos revestidos desse minério.

São Francisco de Assis, iniciada em 1766, é a mais importante da última fase, também chamada rococó, quando a queda nos preços e consequente diminuição da extração fizeram com que os artistas compensassem a falta de ouro com aprimoramento artístico. As obras principais da igreja, como os púlpitos, os altares e os retábulos laterais são de Aleijadinho. Mas os restos mortais desse famoso escultor da época estão na matriz de Nossa Senhora da Conceição, onde existe um museu com todas as informações desse singular artista.

Ouro Preto - berço da Inconfidência mineira

Atualmente a Casa dos Contos foi transformada num belo museu. O Ministério da Fazenda é responsável pela administração do prédio. A visitação é gratuita e, embora não seja guiada, há funcionários em todas as salas para nos dar explicações. O passeio começa na sala multimeios com a exibição de um filme institucional de cerca de 10 minutos de duração. No hall de entrada, podemos observar um grande arco com suporte para tochas e lamparinas. Na base do corrimão da escada que dá acesso ao segundo piso, há um florão esculpido na pedra. Esse florão era o símbolo da Casa dos Contos.

A capela de Nossa Senhora da Conceição, erguida pelo bandeirante Antônio Dias em 1699, foi concluída em 1746. Ela conserva um bom acervo de imagens e as melhores peças produzidas por Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, que se acham expostas no Museu, instalado nos fundos da igreja.  Ela é uma das mais importantes igrejas de Ouro Preto, com interior típico da arquitetura da primeira metade do século 18 e fachada alterada no século 19.

 Projeto e construção de Manoel Francisco Lisboa, pai de Aleijadinho, ambos sepultados no interior da Igreja. Destaque para os oito altares laterais. Atualmente o Santuário está fechado para restauração.

São Francisco de Assis 

A Igreja foi erguida pela Ordem Terceira de São Francisco de Assis entre os anos de 1766 e 1794. O projeto arquitetônico foi encomendada a Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e entregue a Domingos Moreira de Oliveira, experiente pedreiro português residente da antiga Vila Rica.

Devido a sua posição de instalação, contando com duas ruas e ampla praça que a circundam, destaca-se imponente e única no cenário com as montanhas e o Pico do Itacolomi ao fundo. Fator que contribui junto a beleza da obra para a alta taxa de visitação é sua localização privilegiada, com fácil acesso, amplo estacionamento, bem no centro histórico da cidade e com a Feira de Pedra Sabão instalada à sua frente. A igreja está a apenas 180 metros da Praça Tiradentes.

A igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar, em Ouro Preto, atrai os visitantes em especial pelo fato de ser a mais rica em ouro na cidade, reflexo da abundância do metal que marcou a história da antiga Vila Rica. Sua origem é do final do século 17, com a chegada dos bandeirantes paulistas, após a descoberta do ouro na região. Entre 1700 e 1703, teve início a construção da primeira Matriz do Pilar em taipa e madeira, e em 1710 a imagem da Virgem do Pilar foi entronizada no altar-mor. Em 1728, os fiéis decidiram erguer um novo templo com mais capacidade e segurança, pois a igreja estava pequena.

Há seis altares construídos, com as invocações a são Miguel e Almas, Sant’Ana, Senhor dos Passos, Santo Antônio, Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora das Dores. Painéis de pintura a óleo, feita diretamente sobre a madeira, decoram as paredes laterais e o forro da capela-mor. Nas paredes estão representados os quatro evangelhos e as quatro estações do ano.
No painel circular do centro da abóbada, vê-se uma representação da Última Ceia. 
Uma das atrações atuais é o Museu da Prata. São dezenas de esculturas, prataria, móveis e utensílios organizadas originalmente pelo vigário José Feliciano da Costa Simões.

 

Conheça as minas de ouro

A extração de minérios da época colonial deixou de herança diversas minas de ouro que, hoje, funcionam como pontos turísticos.

Uma das principais cidades do Ciclo do Ouro, que já foi chamada de Vila Rica e hoje é a famosa Ouro Preto, é repleta de minas de ouro. Dizem que ela é como um grande queijo suíço:  por baixo daquele casario colonial maravilhoso, estão centenas de túneis e labirintos que levavam às minas de ouro.

No século 18, foram registradas 800 toneladas de ouro enviadas a Portugal. Mas, veja bem, isso é o que foi registrado. Não entra nessa conta o que ficou para ornamentar igrejas, e muito menos o que circulava clandestinamente.

As principais minas de ouro, em número de seis, podem ser visitadas pelos turistas, pagando-se um ingresso em torno de R$ 25. A Mina do Chico Rei, que fica no bairro Antônio Dias, dá para ir a pé, a partir da Praça Tiradentes. Nessa mina há sempre um guia,que fala tanto sobre o trabalho escravo na mina quanto sobre técnicas de extração de ouro. Segundo a história, essa mina foi a única que pertenceu a um negro e ex-escravo. Ela fica na rua Dom Silvério, 108 – Antônio Dias, e pode ser visitada diariamente, das 8h às 17h.

As outras, não menos interessantes, são a Mina do Veloso, do Felipe dos Santos, do Jeje, da Santa Rita e da Passagem

Aleijadinho - um dos mais famosos artistas da antiga Vila Rica
 

Foi escultor, entalhador e arquiteto do Brasil colonial. Suas obras estão espalhadas pelas cidades de Ouro Preto, Tiradentes, São João Del-Rei, Mariana, Sabará, Morro Grande e Congonhas do Campo.

Antônio Francisco Lisboa é o nome do famoso escultor Aleijadinho, nascido em Ouro Preto-MG, em 29 de agosto de 1738, e morto na mesma cidade, em 1814.

Aleijadinho era filho ilegítimo de um talentoso arquiteto português, chamado Manoel Francisco Lisboa, com uma escrava africana. Por ser seu pai um português eminente, Aleijadinho não nasceu sob a condição de escravo e, ao longo de sua infância e juventude, conseguiu cursar uma educação bastante razoável para os padrões da época.

Grande parte da formação artística de Aleijadinho lhe foi dada pelo próprio pai arquiteto. Além disso, aprendeu muito de suas técnicas de escultura com seu tio, Antônio Francisco Pombal, que era entalhador.

Além da formação artística, Aleijadinho viveu a atmosfera das ideias liberais que se propagaram em Minas Gerais no século 18 e que deram o tom da Inconfidência.

Em 1777, quando contava 39 anos de idade, Aleijadinho foi vitimado pela doença que o deformou.

Especula-se até os dias de hoje se essa doença era sífilis ou bouba (também conhecida como framboesia trópica), ou ainda reumatismo deformante ou lepra (como sugere o poema de Cecília Meireles).  O certo é a que doença comprometeu-lhe os pés, as mãos e outras regiões do corpo e que, além da atrofia, também lhe povoou de feridas e pus.

 

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