O que podemos aprender com outros governos no combate ao COVID-19?

Vivemos um momento de extrema incerteza, um momento em que conhecer, comparar e decidir me parece o único caminho para alcançar mais acertos que erros. Nessa hora, a busca por informações técnicas, validadas por especialistas, e até mesmo a observação ou adoção de ações que deram certo em outros lugares podem nos ajudar a ultrapassar a presente pandemia e desenhar um futuro mais tranquilo e promissor. Exemplos vindos de diferentes continentes nos fornecem pistas para uma trilha mais segura.

 

Na Ásia, países como China, Japão e Coreia do Sul começam a acelerar o ritmo de suas economias, porém com muito cuidado, pois, segundo especialistas da área da saúde, pode haver uma segunda onda de contaminações, o que preocupa a todos. 

Na Europa, que foi o epicentro da pandemia algumas semanas atrás, a quantidade de óbitos na Itália, na Espanha e na Inglaterra está diminuindo, mas o problema ainda é bastante grave. Nos Estados Unidos, as taxas de contágio e de mortes são atualmente as mais elevadas do mundo e continuam acelerando. A contaminação cresce também na África do Sul, no Egito e em Marrocos, que lideram a lista de nações africanas afetadas pela Covid-19. 

Na América Central, o Equador é o caso mais delicado e, chegando à América do Sul, temos o Brasil que, com sua extensão continental, é o local com mais infectados e óbitos. Em território brasileiro, a situação continua se agravando no Amazonas, no Ceará, no Maranhão, no Rio de Janeiro e em São Paulo - este último considerado o epicentro da pandemia no país. Nesses estados, a estrutura de atendimento aos pacientes já está esgotada ou se esgotando. Nos demais, vive-se uma situação de atenção ou de casos até o momento controlados.

 

Enquanto o governo federal publica decretos de abertura e de restrição à atividade econômica e o Ministério da Saúde emite orientações sobre as questões sanitárias, cabe a cada governador e a cada prefeito criar protocolos no âmbito de seus territórios. 

Por isso, notamos algumas práticas bem diferentes entre si. Mas uma experiência me chamou a atenção: no Rio Grande do Sul, o governo dividiu o estado em 20 regiões e está atribuindo a cada uma delas bandeiras nas cores laranja, vermelha e preta, que indicam o contágio pelo novo coronavírus e o número de mortes. Conforme a evolução dessas taxas em uma região, muda-se a bandeira e, com ela, o protocolo. Dessa forma, locais onde a bandeira for de vermelho para laranja, por exemplo, poderão reabrir o comércio e retomar as demais atividades, mantendo os cuidados e restrições indicados pelas autoridades de saúde.

Enquanto isso, aqueles que estiverem sob a bandeira preta poderão assistir à determinação de um lockdown, o que significa a restrição completa das atividades econômicas, exceto por aquelas consideradas essenciais. Talvez a iniciativa do Rio Grande do Sul seja um exemplo a ser adotado ou adaptado para nós, mas, insisto, qualquer ação nesse sentido precisa ser realizada à luz dos dados técnicos e fundamentos científicos. 

 

Poderíamos criar aqui graus de essencialidade que hierarquize os setores prioritários e ir abrindo gradativamente de maneira escalonada. Todo caso exitoso até agora, antes da tomada de decisão, tinha um diagnóstico claro da situação, ou seja, realização de testes para compreender qual a real situação. E isso é fundamental que Poços de Caldas faça.

 

Por Eduardo Junqueira Dias - Graduando em Administração e cidadão poços-caldense.

10/05/2020

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